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 Santa Rosa do Purus/Acre
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Prefeitos de Santa Rosa e Plácido são presos durante Operação Labor; prefeito do Bujari está foragido Destaque

Prefeitos são acusados de participar em esquema de utilização de "funcionários fastasmas"

Os prefeitos das cidades de Plácido de Castro, Ronem Firmino, e de Santa Rosa do Purus, Rivelino Mota, foram presos na manhã desta quarta-feira (14) em operação da Polícia Federal (PF) por conta de desvios de recursos nas prefeituras. O prefeito de Bujari, Antonio Raimundo de Brito Ramos, o Tonheiro, é considerado foragido e a PF está realizando buscas para prendê-lo.

Além dos dois prefeitos, estão presos também os pregoeiros de Plácido de Castro e Santa Rosa do Purus, além do secretário de finanças deste último. Os desvios identificados até agora são de R$ 2 milhões, mas o total de contratos sob investigação ultrapassa a casa dos R$ 10 milhões nas três prefeituras.

Os acusados vão responder inicialmente por peculato – pelos recursos desviados dos cofres públicos, falsidade e ideológica na emissão das notas fiscais fraudulentas, organização criminosa e lavagem de dinheiro por conta do uso de meios para esconder as movimentações financeiras.

Esquema começou em Plácido de Castro

As investigações da PF revelaram que o esquema começou em Plácido de Castro, onde eram feitos acordos entre os pregoeiros, os empresários e os prefeitos para a contratação de mão de obra terceirizada.

Além de superfaturados, muitos dos contratos eram sequer cumpridos, mas mesmo assim os prefeitos faziam os pagamentos e dividiam os valores com os demais envolvidos.

Segundo o delegado federal Daniel Cola, há registro de movimentação financeira e pagamentos das empresas por intermédio de terceiros, para as esposas e mesmo diretamente para os prefeitos.

Além disso, o delegado Cola, que conduziu a parte operacional da ação da PF, afirmou  que a contratação de servidores terceirizados era também utilizada como fator político de interferência nas eleições municipais e para manipular o eleitorado.

 

Como funcionava o esquema fraudulento

Segundo revelou o delegado, o prefeito fazia um acordo prévio com o empresário e o pregoeiro fazia um edital falso. A empresa emitia notas fraudulentas de serviço prestado e a prefeitura pagava. Conforme o revelado, sem a participação dos pregoeiros não seria possível haver o esquema. Os serviços não tinham um setor específico.

As notas fiscais e a relação dos funcionários revelam que o valor desviado é da casa dos R$ 2 milhões, mas o total passa dos R$ 10 milhões. De acordo com o delegado, o primeiro idealizador do esquema foi o prefeito de Plácido de Castro, o qual aliciava os demais.

A relação de Roney Firmino era mais clara com o prefeito de Santa Rosa e menos com o de Bujari, mas também havia com este, Tonheiro Ramos. O delegado não confirmou mas também não negou a existência de uma delação premiada.

Ação é desdobramento da Operação Labor

A operação da PF recebeu o nome de Melinoe, a deusa grega dos fantasmas, sendo esta um desdobramento da Operação Labor, deflagrada em 12 de julho na região do Alto Acre que teve como foco principal a cidade de Brasileia, iniciada em 2014. Na primeira fase, foram presos quatro empresários, sendo que todos estão soltos no momento.
Os inquéritos instaurados a partir de Brasileia são quatro, inconcluídos os três das atuais prefeituras envolvidas nesta etapa da investigação.

A PF inicialmente apresentou o caso na Justiça Federal, mas houve o entendimento de que não havia recursos federais envolvidos e o caso foi encaminhado para a Justiça Estadual, tendo sido acompanhado pelo procurador Álvaro Pereira.

Como os prefeitos têm foro privilegiado, a ação está correndo no Tribunal de Justiça do Estado e as prisões, buscas e conduções coercitivas foram deferidas pelo desembargador Roberto Barros.

A operação foi chefiada pelos delegados Daniel Mostardeiro Cola e Frederico Ferreira, utilizando uma equipe de cerca de 60 policiais e o avião da PF, o qual foi usado na prisão do prefeito de Santa Rosa do Purus, Rivelino Mota.

Cerco Matinal

A PF agiu de maneira silenciosa e chegou à residência do prefeito do Bujari nas primeiras horas da manhã desta quarta. Ao chegar ao local, ‘Tonheiro’ já não se encontrava, restando assim aos agentes executarem o mandado de busca e apreensão na residência.

Os policiais ficaram cerca de uma hora no local e levaram documentos de importância relevante para as investigações.

 

                                                                                                    Fonte:Contilnetnoticias

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