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 Marechal Thaumaturgo/Acre
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Sem ter para onde ir, índios da etnia Huni Kui ocupam batelões da prefeitura de Cruzeiro Sul

 

Os Huni Kui são o povo mais numeroso do Acre e pertence ao tronco linguístico pano (Foto: Reprodução Contilnet)

Há quatro meses, dezenas de índios do povo Huni Kui do Foz do Breu, Alto Juruá, município de Marechal Thaumaturgo, estão morando em batelões da prefeitura de Cruzeiro do Sul, atracados nas margens do rio Juruá , no centro da cidade. Os barcos, com capacidade para 10 toneladas, fazem parte da frota que garante o escoamento da produção agrícola ribeirinha. Os índios já foram retirados das embarcações cinco vezes.

O secretário municipal de Agricultura, Neto Vitalino, afirmou que em nenhum momento hostilizou os índios. “Apesar dos transtornos, uma vez que os barcos têm utilização, tratamos a situação de forma pacífica e respeitosa”, disse ele, esclarecendo que os batelões estavam atracados porque o rio não oferecia condições de navegação. “Esses 10 barcos atendem a cerca de 30 comunidades”, explicou.

Para a coordenador da Fundação Nacional do índio (Funai), Luiz Valdenir Souza, o deslocamento e ocupação dos índios são questões culturais. “É grande a logística para o deslocamento. São quatro dias subindo e descendo rios. Eles vêm para Cruzeiro do Sul basicamente por três motivos, que são para receber benefícios previdenciários, retirar documentos e tratamentos de saúde”, explicou Souza, assegurando que , caso os índios procurassem a sede do órgão, receberiam assistência.

Os Huni Kui são o povo mais numeroso do Acre e pertence ao tronco linguístico pano. Também conhecidos por Kaxinawas, suas aldeias encontram-se no Acre, mais precisamente nas áreas indígenas Alto Rio Purus, Igarapé do Caucho, Katukina/Kaxinawá, Kaxinawá da Colônia 27, Kaxinawá do Rio Humaitá, Kaxinawá do Rio Jordão, Kaxinawá Nova Olinda, Kaxinawá/Ashaninka do Rio Breu e Terra Indígena Praia do Carapanã, além do Peru.

Com informações Contilnet

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  • Marechal Thaumaturgo

    Marechal Thaumaturgonota 1 é um município brasileiro do interior do estado do Acre. Sua população, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), era de 16 380 habitantes em 2014.

    O município de Marechal Thaumaturgo originou-se do Seringal Minas Gerais, em terras ocupadas por seringueiros brasileiros, invasores de terras peruanas a partir de política expansionista financiada pelo Governo do Amazonas. Com a formalização do Tratado de Petrópolis (1903) entre o Brasil e a Bolívia, ficou estabelecida a extensão do Acre e, portanto, do Brasil até as cabeceiras do rio Purus. Assim o território brasileiro adentrava-se em terras consideradas como pertencentes ao Peru até o nascedouro do rio Purus.

    Assim, o Tratado de Petrópolis, assinado entre a Bolívia e o Brasil, também passou a definir os limites com o Peru, o que resultou em uma série de conflitos entre o Peru e seringueiros brasileiros no ano de 1904.

    Disto resultou a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro (1909), que definiu novos limites do Brasil com Peru, e onde aproximadamente 40.000 km2 de terras da bacia do alto rio Purus foram reconhecidas como pertencentes ao Peru. Entretanto, no vale do alto rio Juruá, o governo brasileiro comprou as terras até então habitadas por seringueiros brasileiros, consolidando-se as novas fronteiras com a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, em 1909, entre Brasil e Peru.

    Somente em 28 de abril de 1992 foi criado o município de Marechal Thaumaturgo, a partir de um desmembramento do município de Cruzeiro do Sul.

    A sede do município situa-se à margem esquerda do Rio Juruá, na foz do rio Amônia. Os transportes fluvial e aéreo são os únicos meios de acesso a Marechal Thaumaturgo. O município possui uma forte dependência econômica com Cruzeiro do Sul, através do rio Juruá.

    Sua economia é insipiente, baseada na agricultura de subsistência e na pecuária. Os agricultores da região costumam cultivar as praias dos rios Juruá, Amônia e Arara com feijão, macaxeira, batata-doce, amendoim e melancia. As atividades extrativistas (látex e açaí) estão praticamente extintas devido a inviabilidade econômica e social.

    Fonte: Wikipédia

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